
O filme "Garota Infernal", estrelado pela nova "mulher fatal" de Hollywood Megan Fox e roteirizado/dirigido pela Diablo Cody (Oscar 2007-Juno) traz um tema típico de colegial americano onde uma garota líder de torcida desejada pelos marmanjos é possuída por um demônio faminto que dá á ela o poder de matar os garotos que a desejam só como objeto sexual. A matança é feita da forma mais grotesca e ousada possível: comendo-os literalmente. O filme carrega a marca de um novo gênero que vem aparecendo nos filmes de terror nomeado "terrir": o sentido da trama não está exatamente em assustar do telespectador, há um tom irônico nos diálogos e algumas cenas desnecessárias que destoam totalmente o enredo. Se o filme será ou não assistido, todos já sabem a resposta definitivamente, mas quantas pessoas desejarão assisti-lo no cinema ou em casa?
Pessoas que optam por um passeio cultural acabam encontrando a dúbia relação entre escolher assistir um filme diretamente do telão ou enfrentar uma rua movimentada e conseguir uma versão pirateada. Somente para o deslocamento, o espectador terá de arcar com o dinheiro da passagem para condução pública, que sairá em torno de R$2.30 ou pagando o valor do combustível se ele desejar ir com um automóvel. Após procurar o um estacionamento que varia entre R$10 a R$50, para a sessão será reembolsado ingressos de R$13,00 a R$25,00, sem contar com a famosa dupla pipoca-refrigerante. "Prefiro comprar filmes em camelôs a gastar todo esse dinheiro", diz a estudante Mayara. "É bom para fazer trocas entre minhas amigas depois". Filmes obtidos por vendedores ambulantes saem em torno de R$3,00 e ainda é feita uma negociação com o comprador, que pode sair portando dois ou três títulos. Há aqueles que preferem não pagar, como o tradutor intérprete Marcelo. "Eu baixo os filmes no computador, posso assistir quantas vezes quiser e ainda não pago nada", diz.
O dinheiro é o principal obstáculo para pessoas desistirem de deslocar até o cinema. Supondo-se que uma família de cinco pessoas sendo três filhos, pai e mãe saem de casa. Sem contar o dinheiro gasto no trajeto casa-cinema a entrada de todos numa empresa de cinema onde a entrada é exatamente R$23,00 eles gastariam R$80,50 somente nos ingressos - 26 títulos seriam obtidos em barracas ambulantes (sem negociação para "preço camarada"). Mas a promoção "5 por 10" pode causar um prejuízo maior do que falta de dinheiro.
Principalmente lançamentos de filmes conseguidos através de programa de compartilhamento podem apresentar presença de vírus e um leve destoar de imagem, já que não se sabe de fato como são adquiridas as imagens. Algumas são filmadas diretamente da sala de cinema e “vultos de cabeças” comumente são vistos, descentralizando a idéia de que a imagem teoricamente saia perfeita. Esses argumentos são favoráveis aos amantes do cinema. “Eu gosto de me sentir confortável, não vejo algum problema em gastar, pois admito que esteja ganhando cultura”, disse a professora Elisa. Ficar guardando diversos filmes podem não fazer sentido após a compra “Tem filmes que serão assistidos somente uma vez e ficarão guardados, sendo assim, só compro títulos verdadeiros se sou muito fã” declara Marcelo.
Embora não gastar faça parte de um processo de economia e dependendo do modo de pirataria um conhecimento – seja benigno ou maligno – é dado a uma pessoa que não tem acesso fácil à cultura, mas quem tem em alcance outros meios de divulgação como internet. Por outro lado, não há sensação igual de assistir seu ator favorito ou a exuberante Megan Fox surgir das águas com roupas molhadas destacando suas curvas numa cena de “Garota Infernal” diretamente de um telão enorme onde um particular elo entre você e a imagem projetada é construído. E, depois do cinema, que tal um passeio sem preocupação aproveitando um dia de Domingo, por exemplo?

